“Os detalhes não são os detalhes, eles fazem o design” – por Erik Spiekermann

(english version can be read in the above post)

main

Algo que li no blog do Erik Spiekermann (post original: http://spiekermann.com/en/being-obsessive-about-detail-is-being-normal/):

“Atenção obsessiva aos detalhes é um pleonasmo ou uma tautologia. A própria natureza do detalhe significa que não se pode lidar sem ser atento quanto a ele. Eu sou muito perguntado sobre isso porque para (a maioria?) das pessoas que lida com tipografia tudo parece ter a ver com detalhe.

Questão:
A meticulosidade do trabalho tipográfico parece requerer uma atenção obsessiva aos detalhes. Você descreveria o seu trabalho em tipografia como uma obsessão e, se sim, porque essa disciplina em particular requer esse grau de engajamento?

Pergunta errada. Todo ofício requer atenção ao detalhe. Seja quando você está projetando uma bicicleta, um motor, uma canção, uma tipografia ou uma página: os detalhes não são os detalhes, eles fazem o design. Conceitos não precisam ser “pixel-perfect”, e mesmo o mais rígido projeto começa com um rascunho. Mas desenvolver alguma coisa que será usada por outras pessoas, sejam elas motoristas, motociclistas, leitores, ouvintes – usuários, enfim – necessita que essa coisa seja tão bem desenvolvida quanto ela pode ser. A não ser que você seja obcecado pelo que você está fazendo, você nunca estará fazendo isto suficientemente bem. Fazer tipografia parece requerer um monte de detalhes, mas isto também vale para música, cozinha, carpintaria, sem mencionar cirurgia cerebral. Às vezes somente os experts sabem a diferença, mas se você quer ser um expert no que você está fazendo, você só será feliz com o resultado quando você der tudo que você tem.

Eu realmente acredito que a atenção que alguém dá para o que ele ou ela faz é refletida no resultado final, seja o resultado óbvio ou não. Qualidade intrínseca é parte da qualidade absoluta de algo e sem isso as coisas parecerão de “segunda mão”. Os usuários podem até não saber o porque, mas eles sempre sentem isso.

Eu admito que sou obsesssivo sobre meu trabalho, mas eu me recuso a classificar isso como estranho ou pouco usual e classificar a obsessão com a excelência como sendo limitada à certas disciplinas.”

Anúncios

“The details are not the details, they make the design” – by Erik Spiekermann

(versão em português pode ser lida no post abaixo)

main

I read at Erik Spiekermann blog (original post: http://spiekermann.com/en/being-obsessive-about-detail-is-being-normal/):

“Obsessive attention to detail is a pleonasm or a tautology. The very nature of detail means that one cannot deal with it without being attentive to it. I get asked about this a lot because to some (most?) people typography seems all about detail. When Matthew Knott-Craig from Design Indaba sent me his questions, I had to point that out to him.

Question:
The meticulousness of typographic work seems to require an obsessive attention to detail. Would you describe your work in typography as an obsession and, if so, why does this particular discipline require this level of engagement?

Wrong question. Every craft requires attention to detail. Whether you’re building a bicycle, an engine, a table, a song, a typeface or a page: the details are not the details, they make the design. Concepts don’t have to be pixel-perfect, and even the fussiest project starts with a rough sketch. But building something that will be used by other people, be they drivers, riders, readers, listeners – users everywhere, it needs to be built as well as can be. Unless you are obsessed by what you’re doing, you will not be doing it well enough. Typography appears to require a lot of detail, but so does music, cooking, carpentry, not to mention brain surgery. Sometimes only the experts know the difference, but if you want to be an expert at what you’re making, you will only be happy with the result when you’ve given it everything you have.

I strongly believe that the attention someone gives to what he or she makes is reflected in the end result, whether it is obvious or not. Inherent quality is part of absolute quality and without it things will appear shoddy. The users may not know why, but they always sense it.

I admit to being obsessive about my work, but I refuse that to be classified as weird and unusual and obsessiveness being limited to certain disciplines.”