“Se cada um de nós contratar pessoas menores do que nós, nos tornaremos uma empresa de anões” | “If each of us hires people who are smaller than we are, we shall become a company of dwarfs.”

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English translation below

Quando era bem novinho, peguei na prateleira de uma das primeiras agências que trabalhei, um dos livros do genial publicitário David Ogilvy (uma espécie de Steve Jobs da publicidade dos anos 60 e 70).

Uma das passagens do livro, ensinamento que guardo comigo até hoje, era a história de que Ogilvy, sempre que contratava um novo alto executivo para sua agência, mandava de presente uma boneca russa chamada Babushka (ou Matryoshka). Babushkas são várias bonecas em uma: dentro da maior delas, tem outra menor, dentro dessa menor, tem outra ainda menor, e assim sucessivamente.

Nessa Babushka que Ogilvy enviava, dentro da menorzinha de todas, tinha um bilhete escrito a mão do próprio Ogilvy que dizia assim:

“Se cada um de nós contratar pessoas menores do que nós, nos tornaremos uma empresa de anões. Mas se cada um de nós contratar pessoas que são maiores do que nós, nos tornaremos uma empresa de gigantes.”

Simbolizando esse brilhante modo de pensar, recentemente ganhei uma Babushka linda, toda dourada, comprada de um artesão legitimamente russo.

Já está na minha prateleira para eu sempre lembrar da importância de me cercar de pessoas maiores que eu!


When I was very young, I took on the shelf of one of the first agencies that worked, one of the books of the brilliant advertising man David Ogilvy (a kind of Steve Jobs of advertising of the 60s and 70s).

One of the passages from this book, teaching that I keep with me until today, was the story that Ogilvy, whenever he hired a new senior executive to his agency, send away to this new employee a gift, a Russian doll named Babushka (or Matryoshka). Babushkas are several dolls in one: inside the largest, has a smaller, in this smaller, has another even smaller, and so on.

This Babushka that Ogilvy was sending, inside the smaller one, had a note handwritten by Ogilvy that went like this:

“If each of us hires people who are smaller than we are, we shall become a company of dwarfs. But if each of us hires people who are bigger than we are, we shall become a company of giants.”

Symbolizing this brilliant way of thinking, recently I won a beautiful Babushka, all gold, bought from a legitimately russian craftsman.

It’s already on my shelf so I can always remember the importance of surround myself with people bigger than me!

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Carnaval brasileiro e design no Brasil | Brazilian carnival and design in Brazil

capa_post_carnavaldesign(english translation below)

O carnaval é uma atividade intrinsecamente criativa: envolve ideias, cultura, projeto, soluções estéticas e simbólicas. A medida que essa típica tradição cultural brasileira se tornou mais visível, mais rentável, mais competitiva e, consequentemente, mais profissional, as escolas de samba se tornaram verdadeiros estúdios de criação.

Eu realmente acho o carnaval algo espetacular: o poder de transformar ideias, pessoas, isopor e penas de aves em algo tão fabulosamente inovador e único é digno de admiração. Das ideias, criadas pelos carnavalescos mais criativos, brilhantes e competentes, até a música, os ensaios, maquiagens, vestimentas e alegorias, todas as etapas na criação de um desfile são geridas no detalhe e supervisionadas com eficiência pouco vista na gestão de tantas outras atividades criativas tocadas no Brasil, incluindo-se aí o design.

Interessante é ver o quanto um evento tão complexo e tão dependente de criatividade consegue obter resultados tão impecáveis num país que ainda tem a maioria das atividades profissionais criativas e artísticas tão pouco presentes no dia a dia da sociedade como um todo. O que o carnaval ilustra, principalmente, é que as atividades que tem mais relevância cultural para um povo – as que fazem parte da alma de uma nação – são as mais valorizadas e beneficiadas por todos os segmentos da sociedade, incluindo-se aí, obviamente, também o tamanho das verbas e remunerações de todo segmento envolvido.

É inegável a tradição que alguns países europeus tem, por exemplo, com o design de tipografia. O design das embalagens norte-americanas criaram soluções únicas para problemas únicos que surgiram há décadas atrás como consequência da própria liderança industrial dos EUA na produção de bens de consumo. Ou seja, são atividades valorizadas porque fazem parte de tradições específicas desses povos.

Então no carnaval está o exemplo da única coisa que pode valorizar o design no Brasil: fazê-lo parte relevante da cultura brasileira.

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(texto em português acima)

The carnival is an inherently creative activity: it involves ideas, culture, project, aesthetic and symbolic solutions. As this typical Brazilian cultural tradition became more visible, more profitable, more competitive and therefore more professional, the Samba Schools (Escolas de Samba) have become true creative studios.

I really think the carnival is spectacular: the power to transform ideas, people, Styrofoam and bird feathers in something so fabulously innovative and unique is worthy of admiration. The ideas, created by the most creative, bright and competent carnival creators (called “carnavalescos” here in Brazil), until the music, rehearsals, makeup, costumes and floats, all the steps in creating a carnival parade are managed in detail and supervised with rarely seen efficiency in the management of many other creative activities in Brazil, including therein the design.

Interesting is to see how such a complex event and so dependent on creativity obtain so impeccable results in a country that still has the most creative professional and artistic activities as little present in everyday life of society as a whole. What carnival parades shows, mainly, is that the activities that have more cultural relevance to a nation – those that are part of a nation’s soul – are the most valued in all segments of society, including, of course, also the size of the fees and remunerations of all people involved in the segment.

It is undeniable the tradition that some European countries have, for example, with typography design. The design of the North American packaging created unique solutions for unique problems that emerged decades ago as a consequence of the US industrial leadership in the production of consumer goods. They are valued activities because they are part of specific traditions of these nations.

So, in the carnival is the example of the only thing that can enhance the design in Brazil: make it a relevant part of Brazilian culture.

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